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Escolhendo com sabedoria
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De uns anos para cá, tenho recebido no consultório cada vez mais pacientes que chegam com grande número de exames numa pasta, na maioria das vezes muito assustadas, em busca não mais de uma segunda, mas muitas vezes terceira ou quarta opinião.
Até aí sem problemas!
Mas é incrível como a grande maioria destes exames não tem relação com a doença investigada. Muitos deles são, inclusive, desnecessários.
Ao refletir sobre esta situação realizei uma pesquisa e vi que este fenômeno não estava acontecendo só comigo. Pois bem, já em 2012, a fundação American Board of Internal Medicine (ABIM), dos Estados Unidos, lançou a campanha Choosing Wisely (“escolhendo sabiamente”, em tradução livre).
A mesma campanha se iniciou em 2014 no Canadá e vem sendo adaptada e implementada em outros países, inclusive no Brasil.O objetivo é levar informações ao público para evitar exames, tratamentos e procedimentos médicos desnecessários — ou seja, que não conferem benefícios reais. Importante lembrar que as recomendações do Choosing Wisely não têm o intuito primário de economizar recursos, mais sim de melhorar a qualidade da assistência, que deve ser embasada em evidências, aumentando a probabilidade de benefício e reduzindo o risco de malefício à saúde dos indivíduos.
Diante disso, existem cinco perguntas que todo paciente deve fazer ao médico antes de qualquer terapia.
  1. Eu realmente preciso fazer isto?
  2. Quais são os riscos ou desvantagens?
  3. Quais são os possíveis efeitos colaterais?
  4. Existem opções mais simples e seguras?
  5. O que acontecerá se eu não fizer nada?
A intenção é criar um diálogo franco e aberto, onde a tomada de decisão é feita de maneira compartilhada entre o médico e o paciente. Ou seja, tanto o lado médico quanto o das experiências do enfermo merecem ser considerados. Para que essa conversa seja fluida, é preciso que o especialista sempre adote as seguintes medidas:
  1. Fornecer um diagnóstico, ou então encaminhá-lo a um especialista que possa fazê-lo.
  2. Tentar sempre trazer informações sobre a causa ou a origem do problema.
  3. Contar sobre a progressão da sua doença.
  4. Conversar a respeito de suas opções de tratamento.
  5. Descrever o que é provável que aconteça se você aceitar seguir a terapia proposta.

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